
Em uma conversa com um amigo, certa vez disse-me:
- Minha mãe sempre dizia que tenho um dom especial e ainda hei de descobrir.
Respondi-lhe que:
- Este dom que você tem é que cativas fácil às pessoas.
E ele falou-me:
- Por quê? Não são meus belos olhos negros?
E disse-lhe:
- É você... o que você passa as pessoas.
E ele continuou:
- Mas interessante que busco o conflito. Magôo as pessoas que gostam de mim. E que me faz bem não estar bem. Os meus lamentos e tormentos sempre irei carregá-los.
Interrompi-lhe com uma frase que jamais esquecerei:
- Você nasceu e cresceu para ser amado, dar amor até onde derem a você. Um tempo atrás não gostava dessa frase e não dava valor. Hoje em dia sei o quão é importante para mim. Saber que recebo e dou amor aos meus amigos.
Ele respondeu-me:
- Intempestividade de uma rebeldia contida, crescimento de uma vida sadia.
E continuei:
- Gosto de fazer meus amigos sentirem-se bem, me sinto bem com isso.
E, mais uma vez, citei o que me falaram um dia:
- Fiz-te para o mundo e não para mim, mas ainda dá tempo de desistir de tudo e você ficar com o seu mundo.
E ele falou-me:
- É o ciclo. O mesmo acontece com os homens.
Continuei:
- Sempre a como corrigir, sempre a tempo, nós que não percebemos. Sabe vou confessar uma coisa. Não senti tanta falta sua desta vez e foram 5 dias sem falar com você.
E ele interrompeu-me:
- Você disse que cresceu e não sentiu minha falta, como disse é interessante.
Continuei:
- Pois é, não senti sua falta, mas senti saudades de você.
Novamente a interrupção:
- Que é a mesma coisa.
E falei-lhe:
Falta é igual a querer estar perto, falar, sentir. Saudades é o sentimento de quando gosta de alguém que te faz bem.
“Não acredito em teoria e sim prática”, foi o que ele me disse.
E continuei:
- Se falasse para você que não senti saudades estaria mentindo.
“Supri sua necessidade nessa falta?”, perguntou-me.
“Você não me fez falta, apenas senti saudades de você. Antes sentia falta, saudades, ansiava pela sua presença. Como falei cresci a força. Acabei entendendo certas coisas de uma maneira que poderiam ter sido faladas, sentidas e escritas em outras formas”, respondi.
“E o que entendeu?” Perguntou-me.
“Muitas coisas, que não queria entender”, devolvi.
“Você leva-me em seus pensamentos?”, perguntou-me.
“Comigo está e em meus pensamentos sempre ficará”, disse.
“Sentiu saudades, mas não sentiu minha falta. Supriu minha falta se apegando aos seus pensamentos. Desvirtua o entendimento do que quero e como quero”, resumiu.
“Não ponha palavras na minha boca. Fiz apenas minhas escolhas e tomei minhas decisões. Você povoa meus pensamentos, mas não é o senhor deles”, argumentei.
“Estamos andando em círculos. Como disse carrego meus tormentos, sou uma alma atormentada. Magôo-a sem querer. Ou magôo-me de propósito. Talvez o sofrimento me faça bem. Afasto-me alguns dias, então. Veremos o que o destino decide”, declarou.
“Então que seja feita a sua vontade”, decidi-me.